Você come comida de verdade? Sabe o que este termo significa?
O Guia Alimentar para a População Brasileira — um dos mais elogiados do mundo — propôs essa nomenclatura e classifica os alimentos em quatro categorias. Entender essa distinção é o primeiro passo para uma relação mais consciente com o que colocamos no prato.
In natura ou minimamente processado
Alimentos obtidos diretamente da natureza (frutas, legumes, verduras, tubérculos, ovos) ou que passaram por pequenas intervenções sem adição de outros ingredientes: farinhas, frutas secas, iogurte natural, café.
Ingredientes culinários
Utilizados apenas para preparar alimentos in natura. Não são consumidos isoladamente: sal, açúcar, azeite, manteiga, vinagre. Entram nas preparações para temperar, refogar, fritar ou cozinhar.
Alimentos processados
Alimentos in natura que receberam adição de sal, açúcar ou óleo e foram submetidos a técnicas como secagem, fermentação, salga ou cura. Exemplos: pães, queijos, carne seca e conservas.
Produtos ultraprocessados
Criados pela indústria com ingredientes que imitam comida: gordura vegetal hidrogenada, xarope de frutose, espessantes, corantes, aromatizantes. Exemplos: refrigerantes, lasanha congelada, temperos prontos, achocolatados.
A comida de verdade, portanto, seria aquela minimamente processada — que nos permite receber os nutrientes e a vitalidade da natureza, possibilitando também diferentes e criativas preparações culinárias.
O que a comida tem a ver com você?
Ao consumirmos, principalmente os ultraprocessados — que buscam fazer emergir sensações de prazer, que são fáceis, rápidos, muitas vezes baratos — estamos verdadeiramente cuidando de nós, respeitando o nosso corpo, valorizando a nossa saúde?
Você sabia que é muito difícil para o nosso corpo reconhecer tantos elementos presentes nos ultraprocessados? Por não estar preparado para identificar tantas substâncias químicas diferentes, sentimos um vazio, não encontramos satisfação e acabamos por comer mais para tentar alcançar o mesmo prazer.
Uma pergunta para levar consigo
De verdade, o que você vem fazendo com você? Como vem se tratando? Quão verdadeiras e genuínas têm sido as suas escolhas? Quanto você tem se permitido ser verdadeira consigo mesma — acolhendo sua tristeza, frustração, com carinho, compaixão e paciência — sem tentar mostrar por fora o que não sente por dentro, como quem imita a comida de verdade?
Escolher com presença
O alimento in natura ou minimamente processado nós transformamos, cortamos, temperamos, cozinhamos… fazemos escolhas. Leva um tempo; é um processo. E quando comemos o que está pronto, na caixinha, na embalagem, qual é verdadeiramente a nossa busca? Queremos nos nutrir, ou simplesmente resolver um problema?
"Não sei ou não quero cozinhar; não tenho tempo de preparar minhas refeições; vou dedicar meu tempo a coisas mais importantes" — são pensamentos comuns. Não há julgamento em recorrer a opções prontas de vez em quando, em situações emergenciais. Mas se esta é a base de sua alimentação, talvez seja interessante se abrir, ficar curioso sobre você, sobre sua vida, suas relações.
"Estamos vivendo e nos nutrindo, ou apenas existindo e sobrevivendo? O alimento que ingerimos passa a fazer parte de nós — e pode falar um pouco de nossos anseios, modo de vida, presença ou ausência."
— Daiana Garbin
Uma escolha que é convite
Pense nisso: que o alimento seja remédio, vitalidade, cuidado e proteção em sua vida. Que proporcione saúde, bem-estar, consciência e respeito. Que você possa desfrutar de verdade de todos os aromas, sabores e cores que a natureza oferece.
Que com abertura e curiosidade você possa criar receitas, formas, jeitos de se alimentar — e também de se nutrir.
Perguntas para refletir
- Quantas vezes por semana você prepara uma refeição com ingredientes in natura?
- Quando você busca alimentos ultraprocessados, o que está sentindo naquele momento?
- A sua maneira de se alimentar reflete como você está se cuidando em outras áreas?
- O que seria uma refeição que expressa genuíno cuidado consigo mesmo?
O Mindful Eating — comer com atenção plena — nos convida exatamente a este olhar: perceber o que comemos, como comemos, por que comemos. Reconhecer a diferença entre a fome física e a fome emocional. Escolher com presença, não no piloto automático.
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Aprenda a cultivar uma relação consciente e compassiva com a alimentação — reconhecendo emoções, padrões e escolhas com presença e sem julgamento.
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