Imagine esta situação: você está na estrada, vê que houve um grande acidente e o percurso que faria em 20 minutos terá que ser feito em duas horas. Você sente o coração batendo mais rápido, a respiração começa a saltar e os pensamentos correm pela mente. Irritação.
Agora imagine que está numa montanha: pássaros voam harmoniosamente pelos céus, existe uma brisa suave e por onde quer que você olhe está a natureza em todo o seu esplendor. Relaxamento, harmonia.
Seu dia a dia está mais próximo de qual dessas situações? Provavelmente da primeira. A boa notícia é que é possível estar na primeira situação — engarrafamento, pressão, demandas — e ainda assim cultivar um nível de serenidade interior. Quer descobrir como? Continue lendo.
O estresse é natural
A palavra estresse vem do inglês stress, que significa pressão ou tensão. É um fenômeno normal no ser humano, ligado a situações de combate ou fuga. A sobrevivência de nossa espécie se deve muito ao estresse: quando nossos antepassados estavam diante de uma fera, o corpo criava essa sensação de pressão, que lhes dava energia para combater ou fugir.
Portanto, o estresse é natural e até positivo em doses certas. É ele que nos proporciona o pico de energia necessário antes de uma corrida ou de entrar em cena no palco. Em situações emergenciais, o cérebro libera adrenalina e outros hormônios que nos permitem reagir de formas surpreendentes — às vezes além do que julgávamos capaz.
A pressão no mundo moderno
O estresse moderno, no entanto, é diferente. É resultado de problemas pequenos que se acumulam diariamente. O estresse benéfico é como um balão que você enche e depois esvazia; na versão moderna, o balão vai enchendo cada dia um pouco mais — até que um dia rebenta.
Estar sujeito a um estresse prolongado pode trazer muitos problemas físicos, psicológicos e emocionais. A Organização Mundial da Saúde chegou a referir o estresse como uma "epidemia mundial". Segundo a International Stress Management Association, o Brasil é o segundo país do mundo com maiores níveis de estresse.
Os efeitos do estresse no corpo e na mente
Sintomas físicos
- Dores nas costas
- Problemas de sono
- Grandes alterações de peso
- Dores crônicas
- Dor de cabeça
- Mudanças no apetite
- Prisão de ventre
Sintomas psicológicos
- Falta de paciência
- Depressão
- Falta de energia
- Comportamento compulsivo
- Isolamento social
- Problemas de memória
- Quebra no desejo sexual
Os três tipos de estresse
De acordo com a Associação Americana de Psicologia, existem três tipos diferentes de estresse. Cada um representa um nível de pressão diferente:
Estresse Agudo
A forma mais comum. Vem das demandas do passado recente e das pressões que antecipamos no futuro próximo. É de curta duração e normalmente não causa problemas no longo prazo — como o nervosismo do primeiro dia num emprego novo.
Estresse Agudo Episódico
O estresse de quem vive em caos permanente — sempre com pressa, sempre atrasado, com mais responsabilidades do que consegue gerenciar. Afeta a qualidade de vida de forma persistente, mas ainda não é crônico.
Estresse Crônico
O mais desgastante. Afeta as pessoas dia após dia, ano após ano. Associado à pobreza, famílias disfuncionais, relacionamentos ou carreiras infelizes. Causa acúmulo de cortisol, prejudica a imunidade, a memória e o sistema cardiovascular.
O que fazer para combater o estresse
A pressão psicológica contínua nunca deve ser ignorada. Existem caminhos comprovados para lidar com ela — e o mindfulness ocupa um papel central entre eles.
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Meditação A respiração consciente, o escaneamento corporal (body scan) e as práticas em movimento são algumas das ferramentas mais acessíveis para reduzir o estresse. Nos programas de mindfulness, essas práticas são introduzidas de forma gradual e sustentada, permitindo que se integrem à rotina de maneira natural.
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Atividade física O exercício é fundamental para reduzir a fadiga, melhorar o estado de alerta e as funções cognitivas. Escolha uma atividade que lhe agrade — caminhar, correr, nadar, uma arte marcial. O movimento libera endorfinas e auxilia a "descarregar" a ativação do sistema de luta-ou-fuga que o estresse ativa.
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Yoga Esta prática milenar combina posturas corporais, trabalho de respiração e meditação. Estudos como o de Shohani et al. (2018) demonstraram seu efeito positivo na redução do estresse, depressão e ansiedade. Algumas semanas de prática regular já produzem resultados perceptíveis.
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Aprenda a dizer "não" Uma das características mais valiosas da inteligência emocional. Reconhecer os próprios limites e comunicá-los com clareza reduz o acúmulo de responsabilidades excessivas — uma das principais fontes do estresse agudo episódico.
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Observe o estresse e deixe-o ir Em vez de resistir às sensações de estresse, tente reconhecê-las. Respire pelo diafragma, lentamente. Tudo aquilo a que resistimos permanece; o que aceitamos simplesmente segue seu curso: aparece, fica um tempo e se vai embora. Essa é, em essência, a prática de mindfulness.
"O princípio é simples: tudo aquilo a que resistimos permanece. O que aceitamos simplesmente segue seu curso — aparece, fica um tempo e se vai embora."
— Centro de Promoção de Mindfulness
Em situações de estresse crônico, ocorre acúmulo do hormônio cortisol na corrente sanguínea. Isso interfere na aprendizagem e memória, diminui a função imunológica e a densidade óssea, provoca depressão, aumenta o ganho de peso, a pressão arterial, o colesterol e o risco de doenças cardiovasculares. A boa notícia: a prática regular de mindfulness está associada à redução mensurável dos níveis de cortisol.
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