Não sei vocês, mas em momentos de estresse intenso tenho achado muito fácil ser crítico e julgar os outros. Certa vez, uma colega de trabalho me disse no Slack que ficaria offline por um tempo enquanto cumprimentava sua babá. Meu pensamento imediato foi: "Isso não é distanciamento social". Por uma fração de segundo, fiquei brava com ela. Logo, esse sentimento se transformou em culpa e tristeza. Eu não queria me irritar com minha colega. Então por que estava?
Ouvi de muitos amigos que eles também tiveram momentos de tensão semelhantes com seus colegas. Faz sentido: muitos de nós estamos trabalhando em condições novas e abaixo do ideal, lidando com níveis sem precedentes de estresse e ansiedade, com o futuro dos nossos empregos e da nossa economia incerto.
Brianna Caza — UNC Greensboro
Revisou 300 estudos sobre relacionamentos no local de trabalho e descobriu que "sempre que houver uma tensão externa, ela pode se manifestar entre colegas de trabalho".
Monica Worline — Stanford Center for Compassion
"Quando estamos sob forte estresse, voltamos a padrões de enfrentamento muito enraizados. Achamos que estamos certos e os outros estão errados." Worline co-escreveu Awakening Compassion at Work.
Worline explica que em situações estressantes a compaixão foge pela janela. "Sem nos darmos conta, estragamos nossos relacionamentos, causando mais sofrimento." Mas compaixão está ligada à satisfação no trabalho e ao senso de significado — e cultivá-la é possível, mesmo quando os recursos cognitivos estão esgotados.
Lembre-se: esta é uma oportunidade de se conectar
Caza e seus co-autores descobriram que, embora haja muitos gatilhos para rupturas nos relacionamentos, também existe "o potencial para relacionamentos mais fortes nesses tempos estressantes. Sempre que as coisas são abaladas, há um potencial para uma mudança positiva." Como a crise afeta a quase todos de alguma forma, a sensação de que "estamos nisso juntos" pode nos unir ainda mais — mesmo quando estamos sob extrema pressão.
Aceite que todos estamos lidando de maneiras diferentes
A especialista em relacionamentos Esther Perel apontou que as pessoas têm diferentes mecanismos de enfrentamento. Algumas buscam o máximo de informações possível; outras limitam as notícias. Algumas são rígidas quanto a protocolos; outras adotam uma abordagem mais flexível. Alguns se dedicam ao trabalho para encontrar conforto; outros lutam para manter o foco. Todas são respostas válidas.
A diferença não está só nas abordagens, mas nas circunstâncias. Colegas não são afetados da mesma maneira: alguns trabalham em casa com filhos pequenos; outros têm pais idosos com quem se preocupam; para alguns o trabalho ficou mais intenso, para outros diminuiu. Essas variações importam.
Seja generoso em suas interpretações
Dada a variação entre você e seus colegas, Worline e Caza recomendam: seja generoso na interpretação das ações alheias. Se receber um e-mail curto, não assuma que a pessoa está irritada. Imagine que ela está sob pressão e sem tempo para as gentilezas habituais.
"Quando estamos em crise, diminuímos o fato de as pessoas estarem passando por uma tensão igual ou maior. Somos mais facilmente sobrecarregados pelas necessidades dos outros e reagimos pensando: 'Esse é o problema deles, não o meu.'"
— Monica Worline, Stanford Center for Compassion
Quando surgirem tensões, tente entender por que razões você e seu colega podem não estar se comunicando bem. Evite o pensamento certo-errado. Diga a si mesmo: "Sou capaz e estou cercado por pessoas capazes." Foque na dinâmica e nas circunstâncias — não na pessoa — e é provável que você chegue ao problema subjacente sem atribuir culpa.
Reconheça como você está se sentindo
Deixe claro o que está experimentando. Se precisar de espaço, comunique: "Há muita ansiedade agora, dêem algum tempo para eu pensar sobre isso." Comunique mais do que você faria em circunstâncias normais, sendo mais consciente sobre o tom que usa.
E não se puna caso diga algo do qual se arrependa. "Quanto mais você tiver compaixão por si mesmo e por suas falhas em ser a pessoa que deseja ser, mais poderá diminuir seu estresse", diz Worline.
Não compare o sofrimento
Frases como "pelo menos você não está trabalhando na área de saúde agora" podem parecer uma mudança de perspectiva, mas Worline avisa que são "brutalmente minimizadoras". "Isso não alivia a angústia — só aumenta o nível de julgamento e culpa e exacerba a dor." Compaixão não envolve julgar a relevância do sofrimento alheio.
Lembretes para o dia a dia
- Meus colegas e eu não vemos o mundo da mesma maneira — e tudo bem.
- Temos diferentes maneiras de lidar com a incerteza, a dor e o estresse.
- Eles estão sob pressões que eu nem sempre vejo e não consigo entender completamente.
- Não é benéfico para mim ou para eles comparar nossos desafios. Estamos todos fazendo o melhor que podemos.
- Nem sempre é fácil ser paciente e compreensivo — mas vou continuar tentando, porque é o que todos merecemos.
Pesquisas de Worline e Dutton mostram que a compaixão está relacionada tanto com o nível de satisfação no trabalho quanto com o grau em que as pessoas consideram seu trabalho significativo. Cultivar compaixão pelos colegas não é apenas gentileza — é uma das práticas mais estratégicas para equipes resilientes.
Mindfulness aplicado às relações e ao trabalho
O CPM oferece programas que desenvolvem atenção plena, autocompaixão e regulação emocional — habilidades essenciais para líderes e equipes em contextos de alta pressão.
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